Cineasta Sílvio Tendler confirmado para I SAPO

O Cineasta brasileiro Silvio Tendler estará presente na I Semana de Arte Popular – SAPO – UFSC/UDESC, organizada pelo DCE UFSC, DAOM e DART UDESC, Centros Acadêmicos e Coletivo Kurima em um debate no dia 02 de abril no Centro de Cultura e Eventos da UFSC às 14h30min.FOTO-Silvio-Tendler-03


Silvio Tendler costuma ser chamado pela crítica como o “documentarista dos vencidos”, o “cineasta dos sonhos interrompidos”. E tal caracterização não se dá por acaso. Seus filmes abordam temas de grande relevância social resgatando grandes nomes brasileiros que contribuíram com suas obras e lutas para a construção de um novo Brasil e mundo.

A identificação de Tendler com uma produção cinematográfica engajada tem raízes na sua infância. No dia 1º de abril de 1964, quando ocorre o golpe militar, Tendler com seus recém completados 14 anos, ao retornar do cinema se depara com a recepção da população ao golpe:

“No dia 1º de abril, eu devia ser um dos poucos meninos na rua. E eu fui de tarde ao cinema assistir a um filme inglês. Minha mãe me fez prometer que, se acontecesse alguma coisa, eu deveria voltar para casa. De repente, lá de dentro da sala de cinema, dava para ouvir uma gritaria na rua. Fui até a porta do cinema e vi aqueles carros buzinando e as pessoas comemorando como se fosse vitória na Copa do Mundo. Eles celebravam a partida do Jango para Brasília. Segui a ordem da minha mãe, atravessei discretamente a Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Lembro como se fosse ontem. Era impressionante o contraste: a classe média comemorava e os porteiros dos prédios todos de cabeça baixa, ouvindo o radinho de pilha. Ali foi a minha primeira visão da questão de classe. Quem estava ganhando com aquele golpe?”

Tal fato acaba por marcar a carreira de Tendler como cineasta. Nos anos de 1970, acabou deixando o Brasil de Médici para viver no Chile de Salvador Allende. Na França, cursou o mestrado na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais. Em 1981, já de volta ao brasil desde meados dos anos 70, fundou a Caliban, produtora dedicada a biografias históricas de cunho social. De lá para cá, já fez campanhas políticas, filmes institucionais, e soma na bagagem mais de 40 obras, entre curtas, médias e longas-metragens. 

Tendler nos apresenta riquíssimos documentários sobre grandes personagens brasileiros como em Josué de Castro: Cidadão do mundo (1994) ; Milton Santos: O mundo global visto do lado de cá (2006) ; Marighella – Retrato falado do guerrilheiro (2001) e muitos outros. Suas mais recentes obras são Tancredo, a travessia (2011) Utopia e barbárie (2009) Memória do movimento estudantil (2007).

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